“O tanto que há a fazer…” pelos cuidados paliativos em discussão em Tondela
Numa organização da Associação dos Profissionais de Cuidados Paliativos da Região Centro (APCPRC) e da Unidade de Cuidados Paliativos de Tondela, com o apoio do Município, decorreu, na ACERT, nos dias 23, 24 e 25 de outubro, o III Congresso de Cuidados Paliativos da Região Centro e o II Congresso Internacional da APCPRC.
A presidente da Câmara, Carla Borges, marcou presença na sessão de abertura do congresso.
“Esperamos que estes dias sirvam para partilhar experiências, aprofundar conhecimentos e, sobretudo, reforçar a consciência coletiva de que cuidar até ao fim é também afirmar e valorizar o valor da vida.
Os cuidados paliativos são, antes de mais, um direito humano fundamental. Não são cu
idados de morte, mas cuidados de vida, de respeito, de dignidade e de presença”, completou.
A autarca felicitou ainda o trabalho desenvolvido pela Unidade de Cuidados Paliativos de Tondela, criada há 14 anos no Hospital Cândido Figueiredo, e defendeu o reforço da rede de cuidados paliativos na região.
“Acredito plenamente que a ULS Viseu Dão Lafões e o Governo estão empenhados nesse reforço. Em nome do Município de Tondela, deixo aqui o compromisso de que estaremos igualmente empenhados nesse esforço coletivo e disponíveis para colaborar em tudo o que for necessário porque cuidar é uma responsabilidade coletiva: das instituições, das comunidades e de todos nós enquanto cidadãos”, salientou.
Já, Raquel Ferreira, presidente da APCPRC, manifestou, na abertura dos trabalhos, “grande honra, profundo sentido de responsabilidade e gratidão” pela realização do congresso, agradecendo à presidente da Câmara de Tondela “o apoio institucional” e o compromisso do município “com as causas sociais e de saúde, tão fundamentais como os cuidados paliativos”.
“Com o lema `O tanto que há a fazer…´ convidamos todos “a refletir sobre os desafios atuais, mas também sobre as oportunidades, escassez de recursos, formação insuficiente e o acesso desigual aos cuidados.
São obstáculos reais, mas também temos histórias inspiradoras, equipas resilientes e um crescente reconhecimento dos cuidados paliativos no sistema de saúde português”, defendeu.
Por seu lado, Vítor Bettencourt, presidente do congresso e coordenador da Unidade de Cuidados Paliativos de Tondela, agradeceu o desafio que recebeu há mais de um ano pela APCPRC para organizar o congresso.
“É com muito agrado que vejo este auditório repleto. Não é todos os dias que conseguimos fazer um evento destes e com esta abrangência”, afirmou.
Hélder Sousa, vogal do Conselho Executivo da Direção do Serviço Nacional de Saúde, em representação da Ministra da
Saúde, explicou que “os cuidados paliativos são uma resposta absolutamente fundamental” e reconheceu que embora “os progressos notáveis” alcançados no país, ainda existem “constrangimentos que persistem e que limitam a resposta nacional” nesta área e que são precisos solucionar.
Rita Figueiredo, diretora clínica para a área dos Cuidados de Saúde Primários da Unidade Local de Saúde (ULS) Viseu Dão Lafões, defendeu a necessidade de os cuidados paliativos “serem uma realidade em toda a área geográfica” da unidade hospitalar.
E Alexandra Vaz, representante da diretora clínica para os Cuidados de Saúde Hospitalares da ULS Viseu Dão Lafões, garantiu que a unidade “está empenhada em reforçar e apoiar o desenvolvimento dos cuidados paliativos em toda a nossa rede, hospitalar, domiciliária e comunitária”.
“Esperemos que se consiga garantir que mais doentes e famílias tenham acesso a equipas multidisciplinares, diferenciadas, a uma abordagem interdisciplinar e a uma resposta digna e compassiva”, disse.
O III Congresso de Cuidados Paliativos da Região Centro e o II Congresso Internacional da APCPRC contaram com a presença de oradores nacionais e internacionais.
O programa da iniciativa incluiu conferências, palestras, comunicações e workshops. O luto, terapias complementares, nutrição e espiritualidade foram alguns dos temas explorados.
Folha de Tondela Jornal centenário da região de Viseu