No dia 25 de fevereiro, realizou-se a Reunião Pública da Câmara, no qual a Presidente da Câmara, Carla Borges, informou que a Câmara de Tondela decidiu adquirir o edifício Anima Corpus adjacente ao Hotel do Caramulo.
De acordo com a presidente de Câmara, que afirmou “este edifício Anima Corpus esteve em leilão e foi licitado em leilão e, portanto, no âmbito e no uso do direito de preferência, o município irá fazer a aquisição deste edifício”. A edil disse ainda que “entendemos exercer o direito de superfície sobre este imóvel porque consideramos que ele é fundamental para aquilo que é o referido posicionamento do Caramulo relativamente à capacidade de atração turística, mas também no que diz respeito à garantia do funcionamento e da utilização deste edifício para o fim a que ele foi criado, e leia-se o fim para o qual ele foi criado, foi numa determinada parte do edifício há um conjunto de lojas comerciais, o edifício tem uma zona de piscina, tem uma zona de spa, tem uma zona de ginásio, neste momento existe um contrato de arrendamento para algumas áreas do edifício, mas grande parte da zona comercial das lojas está vazia e apenas lá está instalado um cabeleireiro e portanto importa aqui também dinamizar esta zona deste próprio edifício”.
“Neste contexto o município irá exercer o direito de preferência, indo fazer a escritura pública da aquisição durante esta semana”, pelo “valor de cerca de 403 mil euros”, “e que inclui também a aquisição dos bens móveis que estão dentro do próprio edifício, leia-se um conjunto de algumas banheiras de hidromassagem, algum imobiliário”.
A autarca informou os vereadores que foi levado a “cabo a execução de uma avaliação do valor do edifício e do imóvel por um perito independente, sendo que o valor da avaliação é muitíssimo superior ao valor que estava a ser colocado em leilão”.
Referiu que “não obstante ser um ponto de carácter informativo, e por isso é que também o trazemos aqui à reunião de câmara, claro que deixamos o ponto aberto para análise e discussão por parte dos SENHORES Vereadores”.
O vereador Fernando Sousa do PS, na sua intervenção disse que “relativamente ao ANIMA Corpus, obviamente nós estamos todos preocupados, gostamos do nosso concelho e em particular da Serra do Caramulo e não estamos nada satisfeitos com alguns feedbacks que vimos no TripAdvisor ou em pessoas que passam por aquele sítio que se questionam da qualidade da água e do mau funcionamento das piscinas e essas coisas todas. E até percebemos que o valor patrimonial é superior ao valor da aquisição”. “No entanto, acho que deve ser bem avaliado porque certamente que teremos que gastar dinheiro para colocar aquilo a funcionar, porque não está aqui dito qual é o grau de degradação de algumas estruturas e de alguns desses equipamentos e obviamente era preciso criar aqui uma unidade de missão, alguém que fizesse uma gestão dedicada só àquele edifício, penso que seria exequível que o rendimento daquele edifício compensasse a oneração que vamos ter em termos de juros”, disse ainda “penso que dessa maneira, da mesma forma que defendemos o direito de opção para o solar de Santana, também pensamos que numa fase inicial não temos outra oportunidade, mas temos que ter como horizonte curto, dar viabilidade económica àquilo e voltar a colocar no mercado. Porque a média-longo prazo aquilo vai ser um servidor de dinheiro do município e isso também não nos interessa”.
A Presidente de Câmara sobre esta matéria disse “que tivemos que fazer uma avaliação pensada, refletida e conversámos várias vezes sobre o tema e uma das primeiras iniciativas que nós tivemos foi precisamente fazermos uma visita e pedirmos uma visita ao local para percebermos de uma forma muito clara qual é o estado, não só o estado do edifício, não só lançámos mão de uma avaliação para um pedido independente, mas para além disso fizemos uma visita ao local” “e dessa visita também pudemos registrar duas situações importantes. A primeira situação é sobre o estado de conservação ou não do edifício e das suas várias áreas. Mas a segunda, e talvez essa tenha sido aquela que de alguma maneira nos motivou mais é precisamente a verificação do estado de conservação e de manutenção do edifício, que por si só, é um bem e um ativo do Caramulo, que neste momento nada está a contribuir para aquilo que é o posicionamento da marca do Caramulo num determinado patamar e acima de tudo, apesar de ter um contrato de arrendamento e poder ser utilizado uma parte da área deste edifício, uma das frações, ser utilizada pelos utentes e pelos hóspedes do hotel, porque está arrendado pelo grupo que está com a gestão do hotel, as condições e o estado daquele espaço em nada abonam a favor daquilo que é a utilização E portanto, há aqui claramente uma necessidade de defender o interesse público no que diz respeito à valorização do projeto Hotel Caramulo, e eu quando digo projeto Hotel Caramulo não é um projeto empresarial, não é um projeto comercial, não é numa lógica economicista, mas é o projeto Hotel Caramulo como nós o conhecemos há muitas décadas e que é atualmente fundamental porque oferece um conjunto de camas e um nível de alojamento, e pode vir a oferecer e continuar a oferecer um nível de alojamento, que posiciona-se num determinado patamar e atraindo um determinado tipo de turistas e que se não tiver instalações adequadas para o efeito e com qualidade para o efeito, este posicionamento é posto em causa e é cortada esta oferta que é fundamental existir no território”.
Carla Borges continuou “para além disso, o facto de o processo e daquilo que estava na massa insolvente serem várias frações, poderia num futuro permitir que quem viesse a comprar começasse a alienar dividindo em parcelas mais pequenas e fazendo venda quase de uma forma esquartelada daquele edifício que no seu todo é fundamental, que continue, pelo menos duas das frações continuem a desenvolver e a permitir que o projeto de SPA, o projeto de piscina, possa continuar a ser um projeto válido naquela área, tanto mais que foi claramente identificado como um dos eixos estratégicos e que necessário corporizar e desenvolver e continuar a valorizar o eixo ligado a tudo o que é a sanidade mental e física, aquilo que diz respeito à oferta turística e à procura turística de destinos que permitam que as pessoas promovam o seu autoconhecimento, o libertar daquilo que são as vicissitudes do dia-a-dia, a pressão do dia-a-dia, muitas vezes ligadas àquilo que é a pressão do digital e, portanto, encontrar e permitir que o hotel e o Caramulo no seu todo, e eu quando digo no seu todo, é a vila e a serra, continuam a permitir ser um destino turístico que dá resposta a este tipo de procura é fundamental”.
“E, portanto, temos vindo a trabalhar com várias entidades, e também queria que ficasse registrada aqui em jeito de resposta e de discussão com os senhores vereadores, temos vindo a trabalhar com várias entidades públicas no sentido de encontrarmos as melhores soluções para o projeto que irá ser dado como continuidade, entendemos que tem que haver uma gestão do projeto em si, claramente, concordamos com o senhor vereador, logicamente, tem que ser gerido do ponto de vista da sua valorização, como bem patrimonial, tem que ser gerido do ponto de vista daquilo que são as funções que nós queremos que o próprio edifício tenha, e haver uma definição clara daquilo que é a melhor utilização daquele edifício, a melhor ocupação daquele espaço, de maneira a que ele possa efetivamente cumprir o destino que se pretende que tenha, dando corpo também àquilo que é o exercício do direito de preferência, ou seja, estando subjacente logicamente à defesa do interesse público, e por isso é que nós exercemos o direito de preferência”, concluiu a autarca.
O vereador Fernando de Sousa quis saber qual “é a rendibilidade do hotel neste momento, pode-se referir pela quantidade do valor da renda que a gente tem que ter recebido, porque aquilo é 25%, de 50% dos lucros”
A presidente informou que “o direito de preferência não é sobre o hotel, mas a renda que o hotel nos paga neste momento, é 25% sobre 50% das rendas.
Ou seja, não há dúvidas nenhumas que nós podemos fazer um bom negócio de aquisição, mas todas as rendas que vamos gastar para revitalizar, o lucro imediato vai ser para o hotel. Portanto, obviamente, também temos que depois colocar o hotel à mesa das negociações e perceber, arranjamos uma forma de renegociação dessa renda em função dos ganhos, de modo a que não seja só o município a ter prejuízo”.
Nesta reunião, não foi dado a conhecer, nem foi perguntado pelos vereadores da oposição quais as entidades públicas com o qual o Município de Tondela, está a trabalhar, nem que projeto está pensado para este edifício que numa parte é utilizado pelo Hotel do Caramulo.
Estiveram presentes nesta reunião, para além da Presidente de Câmara, os vereadores do PSD, João Carlos Figueiredo, Francisco Fonseca e Vera Machado e pelo PS os vereadores, Fernando Sousa, Francisco Coutinho e Ana Coimbra.
O.B