BISPO DE VISEU NO 43.º ANIVERSÁRIO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS COMBATENTES DO ULTRAMAR!!

Fundada em 1982, na importante e bela cidade de Guimarães, eterno “berço da Pátria”, pelo antigo combatente, João Barroso da Fonte, professor catedrático, jornalista e escritor, a Associação Nacional dos Combatentes do Ultramar (ANCU), sob a batuta, há 23 anos, do também combatente capitão António Ferraz, não se tem poupado a esforços para dignificar todos aqueles que, um dia, foram convocados pelo Estado Português, pela necessidade que havia, naquele tempo, de defender, por todos os meios, os territórios africanos de descoberta e soberania lusitana.

Foram muitas as “batalhas” travadas pelo velho capitão, sempre bem acompanhado pelos restantes corpos diretivos de uma instituição que deverá ser reconhecida de utilidade pública, tais os serviços de alto valor, que presta aos antigos combatentes, na luta pelas suas legítimas e justas reivindicações, mas também na ajuda ao tratamento de uma doença contraída nos teatros de operações de defesa e combate dos territórios e das suas gentes de além-mar, o chamado stress de guerra pós traumático, que encontram o seu lenitivo no Posto Médico da Associação, nas antigas instalações daquela que foi a primeira escola primária de Tondela, a Escola Conde de Ferreira, um benemérito que foi emigrante no Brasil, que se dispôs, através da sua fundação, ajudar a combater o analfabetismo reinante.

Na altura da fundação da ANCU e anos seguintes, os antigos combatentes eram mais de um milhão de portugueses de quase todas as terras do país e hoje, pela lei da vida, serão uns 350 mil, a quem o Estado não contempla como deveria contemplar, porque lhes confere um mísero subsídio anual, o denominado “subsídio das vindimas”, por ser pago em outubro.

Além disso, facultou-lhes outras “regalias”, como ter um catão de “Cidadão Nacional de Reconhecimento da Nação”, um emblema de latão – mas que “lata” a destes governos – entrada gratuita nos Museus e ainda transportes públicos gratuitos nas grandes cidades e aqui os do interior do país, onde não há transportes públicos acessíveis, ficam os provincianos fora dessa prerrogativa.

ESQUECENDO MÁGOAS, A FESTA DOS COMBATENTES!!

Mas nem tudo foi mau na vida dos antigos combatentes do Ultramar, que sempre se encontram para recordar e testemunhar, ao vivo, as lutas, as derrotas, as vitórias e, também, os bons momentos em horas de lazer, fora dos quartéis, junto dos civis, os outros tantos milhares de portugueses que acreditaram que estavam a construir grandes países de desenvolvimento, paz e prosperidade, mas que, de um momento para o outro, fruto da sua independência a qualquer preço, se viram afastados da obra que criaram ao longo dos séculos e que nada puderam trazer, para além da roupa que tinham vestida, deixando lá toda uma vida de trabalho, conquistada longe da sua terra Natal, embora exista alguém que julga que os portugueses ainda têm que indemnizar as antigas colónias. Já agora, é que mais faltava.

Esquecendo, pois, as mágoas passadas e, como vem sendo habitual durante estes anos todos, a ANCU, para além das naturais atividades anuais, leva a efeito a sua festa de aniversário que, este ano, calhou no dia 13 de setembro.

O dia começou com a receção nas instalações da ANCU, onde a todos esperava o habitual “mata-bicho” e, de seguida, o programa cumpriu-se com a sessão solene no Auditório Municipal e a missa presidida pelo Bispo de Viseu, D. António Luciano, com a presença das bandeiras e guiões dos Núcleos da ANCU, que vieram de vários locais do país, missa, aliás, de ação de graças pelos combatentes vivos e de sufrágio pelos tombados na guerra e que, da “lei da morte se foram libertando”, como diria o poeta, também ele antigo combatente no Ultramar. Vem a talho de foice dizer que o Bispo de Viseu, antes de ser padre, foi furriel ligado à saúde no Ultramar, em serviço militar, cumprido com toda a dignidade, como todos os que por lá combateram, sendo que os de Tondela foram cerca de 4.000.

A homenagem, junto ao Monumento dedicado aos combatentes mortos nas campanhas africanas, é sempre um momento carregado de simbolismo, de recordações e de saudade por aqueles 49 militares que, do concelho de Tondela, caíram nos capinzais, aos tiros e às bombas do inimigo e desfeitos nas minas que rebentavam debaixo dos pés, monumento que mostra a cartografia de 500, poemas de Camões e Fernando Pessoa e as 49 bestas, antiga arma medieval, que deu nome às terras do concelho de Tondela e que é sempre selado com a entoação do Hino Nacional, logo após a deposição das coroas de flores de todos os núcleos, da própria ANCU e da Câmara Municipal.

Para além do Bispo de Viseu, nosso companheiro nas missões de soberania em terras africanas, marcaram a sua presença, a presidente da Câmara Municipal de Tondela, Carla Antunes Borges, anfitriã do evento, o 2.º comandante do Regimento de Infantaria de Viseu, os representantes dos Bombeiros de Tondela e do Campo de Besteiros, o comandante da GNR de Tondela, o presidente da Assembleia Municipal, Felisberto Figueiredo, outras individualidades e autarcas da região e o combatente mais velho, ainda vivo, o sargento José Maneiras, já a caminho dos 91 anos, que foi prisioneiro de guerra na Índia e que teve lugar na mesa de honra que presidiu à sessão solene no auditório.

Selando mais uma festa dos antigos combatentes, o almoço foi a todos servido por um restaurante de Lobão da Beira, nas antigas instalações do refeitório Municipal, junto ao estaleiro, que decorreu animadamente, sendo de referir que, da grande e unida família Maneira, estiveram presentes 10 elementos, sempre alardeando a alegria que lhe é peculiar. A abrilhantar o repasto, a sempre magnífica atuação do Grupo Coral e Instrumental da Casa do Povo de Caparrosa, à frente do qual, o Casimiro Aires.

MUNICÍPIO SALIENTA O ESPÍRITO DE MISSÃO DOS COMBATENTES

No seu discurso de encerramento na sessão solene dos 43 anos da ANCU, a presidente do Município, Carla Borges, falando da festa dos antigos combatentes, quis deixar o seu agradecimento ao Dr. Ferraz, ao Dr. Barroso da Fonte e ao sargento Maneiras, o mais antigo combatente presente.

Disse que se ergueu “bem alto o estandarte da memória e da honra, neste aniversário da Associação Nacional dos Combatentes do Ultramar – uma instituição que, ao longo de mais de quatro décadas, tem sabido cumprir a mais nobre das missões: preservar o legado de todos aqueles que, sob juramento à Bandeira, partiram para terras distantes e lá cumpriram, com disciplina e coragem, o seu dever para com Portugal”, numa “coragem nem sempre reconhecida, mas que importa sempre dignificar”.

Disse dignificar o “esforço dos 14 anos de guerra, os momentos perdidos, o presente de então interrompido” e que os anos que se seguiram “foram igualmente desafiantes, pois as necessidades dos antigos combatentes e das suas famílias são diárias”.

Deixou claro que, cada dia dos 14 anos da guerra do Ultramar, “deixou a sua marca, uma marca que acompanha os antigos combatentes e as famílias diariamente. E esse tem sido o desígnio desta mui nobre associação, acompanhar, ajudar, fazer valer os seus direitos”, mas que “os desafios da atualidade mudaram. Os olhos dos governantes estão postos na defesa nacional, mas importa nunca esquecerem os antigos combatentes”. A festa dos combatentes foi, para si, “um dia de celebração e tributo”.

A PRESENÇA DA ANCU “É UMA HONRA PARA TONDELA”

Para Carla Borges, a ANCU “não é apenas uma associação. É uma tropa moral, coesa e vigilante, que continua a lutar em nome dos Antigos Combatentes. Nas vossas fileiras preserva-se o espírito de missão, o sentido de disciplina e a chama do dever, que nem o tempo, nem o esquecimento, conseguiram apagar. É motivo de orgulho para o Município de Tondela contar com esta associação. A sua presença entre nós é mais do que uma honra: é um exemplo. Porque a farda pode já não estar vestida, mas o uniforme invisível do dever permanece em cada um dos antigos combatentes”.

Neste momento de evocação, a autarca disse prestar homenagem “a todos os que, com coragem e determinação, combateram em defesa da Pátria. A vós, que arriscaram a vida, que viveram sob a ameaça constante da morte, que enfrentaram privações extremas e que, mesmo longe de casa e da família, jamais deixaram cair a Bandeira”.

A presidente do Município diz recordar, também, com reverência, os que cumpriram o sacrifício supremo, tombando em solo longínquo e que o sangue derramado em nome de Portugal permanece gravado, para sempre, na História e na consciência nacional.

Contudo, disse não ignorar que muitos dos combatentes que regressaram com feridas que não se veem, cicatrizes invisíveis que ainda hoje os marcam e às suas famílias. “Por isso, cabe-nos – como Estado, como Município, como comunidade – estar ao vosso lado. Porque o dever não terminou no dia do regresso”, sendo por isso que a Câmara se mantém fiel a esse compromisso”.

“Há três anos instituímos o Dia do Antigo Combatente, celebrado em abril, precisamente para que a memória não seja esquecida e para que a vossa causa seja sempre reconhecida. Porque honrar o passado não é apenas recordar: é garantir que o exemplo de coragem, de disciplina e de camaradagem ilumina o presente e inspira o futuro. Sigamos juntos nesta marcha, lado a lado, garantindo que as vozes dos Combatentes são ouvidas, que os seus direitos são respeitados e que o seu sacrifício é eternamente valorizado. Combatentes do Ultramar: o vosso exemplo permanece vivo. A Pátria honra-vos. Tondela orgulha-se de vós”, disse a terminar a presidente do Município de Tondela, município que, desde a primeira hora, ajudou e de que maneira, na existência de uma associação de antigos combatentes do Ultramar.

Nas palavras do presidente da ANCU, o reconhecimento do Dr. Barroso da Fonte, como o impulsionador da obra monumental de homenagem a todos os tombados no campo da honra e do dever, no Forte do Bom Sucesso, em Lisboa, à frente de uma associação de antigos combatentes, que ainda não tem, estranhamente, o estatuto de “Utilidade Pública”.

JOAQUIM DUARTE PEREIRA

(Ex-1.º cabo radiotelegrafista 901/61)

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